sábado, 11 de junho de 2011

lideres de bombeiros deixam gep seguem em carreata

RIO - Nove líderes do movimento dos bombeiros deixaram na noite desta sexta-feira o Grupamento Especial Prisional (GEP), em São Cristóvão. Eles pretendem passar a noite do lado de fora do quartel de Niterói, onde estão os mais de 400 agentes presos. Há buzinaço na saída dos bombeiros, que seguem de carros particulares. A prioridade, segundo eles, é a anistia de todos os detidos. A ideia é que todos saiam juntos da prisão pela manhã de sábado. No mesmo dia em que a Justiça determinou a soltura dos bombeiros presos após a invasão do Quartel Central da corporação , o Ministério Público denunciou 431 envolvidos na manifestação .
A denúncia - subscrita pelos promotores de Justiça Leonardo Cuña e Isabella Pena Lucas - aponta a prática de violência nos protestos e desobediência a ordens. Eles enviaram três denúncias à Justiça, e dividiram os militares por tipo de crime cometido. Uma delas se refere apenas aos 14 líderes do movimento dos bombeiros. Dois PMs também foram denunciados por permitirem que os manifestantes depredassem viaturas. Além disso, 14 militares - dez oficiais e quatro praças - vão responder ainda por terem liderado a invasão ao Quartel Central, o que agrava a pena desse grupo, se condenado.
Marcos Roberto de Carvalho Faria e Jorge Carra da Conceição foram os policiais militares denunciados. De acordo com a denúncia, "ainda nas mesmas circunstâncias de tempo e local, os denunciados, de forma livre e consciente, em união de ações e de desígnios, adquirindo o domínio final e funcional dos fatos a partir do momento em que dominaram o Quartel com os demais manifestantes, comportamento criador do risco de superveniência do evento, na qualidade de garantes da não ocorrência do resultado, podendo e devendo agir para evitá-lo, permitiram que manifestantes ainda não identificados praticassem danos em material de utilidade militar, consistente nas viaturas operacionais".
Os bombeiros que já haviam levantado acampamento em frente à Alerj novamente se preparam para passar mais uma noite acampados. Eles aguardam a liberação dos colegas de trabalho que estão presos.
Na madrugada desta sexta-feira, o desembargador Cláudio Brandão de Oliveira, que estava no plantão judiciário da 2ª Instância do tribunal fluminense, anulou decisão da juíza Ana Paula e determinou o relaxamento da prisão dos militares. A falta de documentação que deveria constar no local da prisão dos bombeiros e a inadequação das instalações onde eles são mantidos foram os argumentos relevantes para o julgamento em favor do habeas corpus.
O habeas corpus que determinou a soltura dos bombeiros presos foi pedido pelos deputados federais Alessandro Molon (PT-RJ), Protógenes Queiroz (PC do B-SP) e Doutor Aluizio (PV-RJ) em razão do indeferimento, pela Auditoria da Justiça Militar, do pedido formulado pela Defensoria Pública. Por enquanto os bombeiros aguardam a liberação. A promotora Isabella Pena Lucas, da Auditoria de Justiça Militar, afirmou que a expedição dos alvarás de soltura está demorando por que, entre outros motivos, as informações como o nome e o número da identidade de alguns dos detidos não estão corretas.
Nesta sexta-feira, o governador Sérgio Cabral, que havia criticado os bombeiros duramente após a invasão do Quartel Central, adotou nesta sexta-feira um tom conciliador . Em cerimônia realizada no Palácio Guanabara para a assinatura de um convênio entre a Cedae a Fundação Santa Cabrini, Cabral disse ser um "democrata", e que qualquer pessoa pode fazer suas reivindicações, mas "dentro do estado de direito". Para o governador, a crise está superada e o novo secretário de Defesa Civil e comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Sérgio Simões, tem autonomia para conversar com a tropa e comunicar as demandas dos bombeiros.
Na tarde desta sexta-feira, o secretário estadual de Defesa Civil e comandante do Corpo de Bombeiros também afirmou achar que a crise acabou. Ele afirmou ainda que os bombeiros que serão libertados voltarão imediatamente ao trabalho , e informou que pretende se reunir com parte do grupo preso por invadir o quartel central da corporação para ter uma conversa franca e aberta com os militares. A categoria, no entanto, ainda não se posicionou sobre as declarações. Mais cedo, eles afirmaram que logo após serem soltos seguirão para a Assembleia Legislativa (Alerj), onde continuarão o protesto por melhores salários. Para o secretário de Defesa Civil, a crise já acabou.

FONTE:  Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

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