O Ministério da Saúde suspendeu o repasse de
outubro para 22 Equipes de Saúde da Família, 9 Equipes de Saúde Bucal e 172
Agentes Comunitários de Saúde, em 17 municípios paraenses, entre eles Monte
Alegre, no Oeste do Pará. A suspensão foi causada por irregularidades
cadastrais dos profissionais no Sistema de Cadastro Nacional de
Estabelecimentos de Saúde (SCNES), como a duplicidade de informações. Em todo o
País, foram suspensos recursos de municípios de 24 Estados, sendo 233 equipes
de saúde da família, 204 de saúde bucal e 1.717 agentes.
A medida faz parte da ação de fiscalização e
transparência sobre aplicação dos recursos da Atenção Básica, realizada sempre
que o Ministério da Saúde identifica irregularidades por parte das secretarias
municipais de saúde, responsáveis diretas pela execução dos programas. A
portaria número 2.774, publicada no Diário Oficial da União, lista os
municípios que deixarão de receber somente a parcela do incentivo correspondente
às equipes e agentes que apresentaram problemas. Portanto, a medida não
representa a interrupção da Estratégia Saúde da Família (ESF) e do programa
Brasil Sorridente nessas localidades. A transferência dos recursos é
restabelecida assim que os gestores comprovarem ao Ministério da Saúde que as
inadequações foram solucionadas.
A maioria das suspensões no Pará foram determinadas
em Belém (55). Foram bloqueados os repasses de sete Equipes de Saúde Familiar
(ESF) e de 48 Agentes Comunitários de Saúde (ACS). O valor do incentivo
financeiro mensal de cada ESF é de R$ 10.050,00 e de R$ 750,00 para cada
agente. No geral, a capital paraense deixou de receber em outubro um montante
de R$ 142,3 mil. O município de Nova Esperança do Piriá aparece em seguida, com
menos R$ 34,9 mil nas contas da prefeitura para o pagamento de duas equipes de
saúde da família, uma de saúde bucal, cujo valor do repasse por equipe é de R$
2.100,00, e de 17 agentes de saúde.
O terceiro maior repasse federal suspenso no estado
foi o de Santa Isabel do Pará, que deixou de receber R$ 32,4 mil, referente a 2
ESF e 17 ACS. Depois aparecem os municípios São João da Boa Vista (R$ 24,1
mil), Moju (R$ 19,6 mil), Monte Alegre (R$ 19,6 mil), Vigia (R$ 19 mil), Santa
Maria das Barreiras (R$ 18,9 mil), Aurora do Pará (R$ 15,9 mil), Bagre (R$ 15,1
mil) e Ananindeua (R$ 14,5 mil).
De acordo com a Confederação Nacional de Municípios
(CNM) o cancelamento dos repasses causa diversos problemas, como o atraso no
pagamento das remunerações dos profissionais, o cancelamento dos programas e a
demissão dos profissionais, e o ônus a gestão municipal com as contratações e
manutenção dos programas. Porém, o pior deles - que pode ser inevitável - é a
desassistência dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Neste sentido, a
Confederação orienta aos gestores a avaliarem tecnicamente e financeiramente a
viabilidade de implantação e de manutenção das estratégias e programas
federais, evitando esse tipo de prejuízo financeiro e administrativo para a
gestão local do SUS.
Fonte: O Liberal
